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Naassenos

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Os naassenos ou naasseni (do hebraico נָחָשׁ naḥash ou naas, "serpente") eram os membros de uma seita gnóstica cristã surgida por volta do ano 100 d.C. Os naassenos alegavam que suas doutrinas lhes haviam sido passadas por Mariamne, uma discípula de Tiago, o Justo.
É possível que o nome seja um portmanteau de "nasoreano" (notzrim) e "essênios"Robert Eisenman groups them together as related baptismal sects. e a retenção da forma hebraica mostra que suas crenças podem representar os primeiros estágios do gnosticismo. Os naassenos, os setianos, os mandeanos, os peratas e os borboritas são considerados como seitas Ofitas. Porém, Hipólito os considera entre os primeiros a serem chamados simplesmente de "'gnósticos', alegando que somente eles teriam atingido as profundezas do conhecimento.".

A narrativa naassena

Ficheiro:Michelangelo, Fall and Expulsion from Garden of Eden 04.jpgupright=1.0thumb direita Adão e Eva com a Serpente, protagonistas na doutrina Naassena.
Michelângelo, no teto da Capela Sistina.Ficheiro:Monreale creation Adam.jpg thumbupright=1.0Criação de Adão
Monreale, die Kathedrale und der Kreuzgang, Sicília, 1976.
Os naassenos tinham um ou mais livros a partir dos quais Hipólito de Roma cita em sua Philosophumena e que supostamente continham os discursos comunicados por Tiago, irmão de Jesus, à Mariamne. Eles continham tratados de natureza mística, filosófica, devocional e exegética, em vez de uma exposição cosmológica.
O autor (ou autores) é possivelmente de língua grega. Ele de fato se utiliza das palavras hebraicas naas e caulacau, mas elas já tinham passado para o vocabulário comum gnóstico a ponto de já serem conhecidas inclusive pelos que não sabiam hebraico. Ele mostra grande conhecimento das religiões de mistério das várias nações da época, algo que poderia ser realizado também em Roma, sem nunca deixar a cidade.

Primeiro homem


Os naassenos estão em acordo com os outros Ofitas em chamar o primeiro princípio de "Primeiro Homem" e "Filho do Homem", chamando-o em seus hinos de Adamas (Adão):
  • O Primeiro Homem (Protanthropos): o ser fundamental antes de sua diferenciação em indivíduos.
  • O Filho do Homem: o mesmo ser após a individualização em coisas reais e, portanto, já afundado na matéria.
Em vez de, porém, reter o princípio feminino dos ofitas da Síria (província romana), eles representaram o "Homem" como andrógino e, dao, um dos hinos segue "De ti vem Pai e através de ti vem Mãe, dois nomes imortais, progenitores de aeons, Ó habitante dos céus, Homem ilustre".
Embora os mitos de um sistema ofita anterior quase não são citados, há um traço de conhecimento dele quando, por exemplo, o mito afirma que Adão surgiu da terra espontaneamente e ali ficou deitado sem respirar, sem se mover, como uma estátua, tendo sido feito à imagem do Primeiro Homem através da obra de diversos arcontes. Como forma de aprisionar o Primeiro Homem, uma alma foi dada à Adão e através dela a imagem do Primeiro Homem superior pôde então sofrer e ser disciplinada em servidão.

Três classes

Os naassenos também ensinavam que este Primeiro Homem era, como Gerion, triplo, contendo em si as três naturezas to noeron ("racional"), to psychikon ("psíquica") e to choikon ("terrena", "mundana"). Declararam que "o princípio da Perfeição é a gnosis do Homem, mas a gnosis de Deus é a Perfeição absoluta". Que em Jesus as três naturezas se combinaram e através dele falaram às diversas classes de homens. E toda humanidade estava dividida entre os "eleitos", os "chamados" e os "cativos", cada qual ligado respectivamente à uma das naturezas, sendo que a mais alta era a ligada ao racional, o conhecimento, a gnosis.
Assim as três classe de homens (e as três igrejas correspondentes) eram:
* Material (os "Cativos") - os pagãos, cativos no domínio da matéria.
* Psíquica (os "Chamados") - os cristãos ordinários, não iniciados.
* Espiritual (os "Eleitos") - os membros da seita, familiares com o conhecimento secreto.

Relações sexuais

Para os Naassenos, a relação sexual com uma mulher é algo terrivelmente maligno e uma prática desprezível. Segundo Hipólito:
Hipólito afirma ainda que os versos de Paulo em contém a chave para todo o sistema naasseno. "Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, inflamaram-se em sua concupiscência uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza" - agora a expressão do que é "torpe" significa, segundo estes naassenos, a primeira e mais abençoada substância, sem forma, a causa de todas as formas das coisas que são moldadas em formatos - "..., e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu desvario".
É certamente possível que os naassenos percebessem a homossexualidade como um exemplo do conceito de androginia. Carl Jung afirmou: "... tal disposição não deve ser julgada como negativa em todas as circunstâncias, desde que ela preserve o arquétipo do Homem Original, que um ser com apenas um gênero sexual, até certo ponto, perdeu.". Porém, como evidência de qualquer ato "torpe", Hipólito lamenta que, de toda forma, "...eles não foram emasculados e, ainda assim, eles agem como se tivessem sido".

Exegese

O autor se utiliza livremente do Novo Testamento. Ele parece ter usado todos os quatro Evangelhos, sendo que o mais utilizado foi o de João. Ele também cita as epístolas paulinas de Romanos, I Coríntios e II Coríntios, Gálatas e Efésios. O Antigo Testamento também é utilizado copiosamente, assim como o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho de Tomé, obras apócrifas. Porém, o que é mais característico é o uso abundante de escritos pagãos, uma vez que o método exegético do autor permite que ele encontre seu sistema em Homero com a mesma facilidade que ele o faz na Bíblia.
thumbupright=1.0Os quatro rios do Paraíso.
Por Mönchs Johannes Kokkinobaphos.

A serpente

Novamente citando Hipólito:

Éden

O Jardim do Éden no sistema naasseno é o cérebro e o Paraíso, a cabeça humana, com cada um dos quatro rios (veja em diante) tendo um significado especial:
  • Pisom = Olhos, pois por sua honra entre os demais orgãos e por suas cores, dá testemunho ao que é dito.
  • Giom = Audição, pois é um rio tortuoso, lembrando uma espécie de labirinto.
  • Tigre = Respiração e Olfato, empregando a veloz corrente do rio (como analogia do sentido). Mas ele corre contra o país dos assírios, pois em cada ato de respiração seguido de expiração, o folêgo capturado da atmosfera exterior entra com um movimento mais rápido e com mais força. Pois esta, ele diz, é a natureza da respiração.
  • Eufrates = Boca, através da qual passa a oração para fora e, para dentro, a alimentação. A boca faz feliz, cultiva e forma o Homem Perfeito Espiritual.

Livros

  • O Fragmento Naasseno (citado por Hipólito como um sumário do sistema naasseno inteiro)
  • O Evangelho da Perfeição
  • O Evangelho de Eva
  • As questões de Maria
  • Sobre os filhos de Maria
  • O Evangelho de Filipe (diferente do Evangelho de Filipe da Biblioteca de Nag Hammadi)
  • O Evangelho de Tomé
  • O Evangelho Grego dos Egípcios

Ver também

  • Ofitas
  • Setianos
  • Mandeanos, que são considerados como uma religião ofita que sobreviveu até os dias atuais
  • Peratas
  • Borboritas

Bibliografia



Ligações externas

  • Texto completo da Philosophumena de Hipólito de Roma tratando dos Naassenos. Hippolytus, Philosophumena,'' Livro V: Naasseni, em inglês.

  • Categoria:Seitas gnósticas
     
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